Veronice Fernandes...
Defender um ponto de vista tem seus algozes. Eu não defendo ponto de vista, apenas vivo de acordo com aquilo que acredito, sou assim. Muitas vezes sofro pelas minhas escolhas, mas não volto atrás, tenho fé ......, sou assim. Veronice Fernandes
quinta-feira, junho 27, 2013
segunda-feira, julho 30, 2012
No simpósio Internacional Inteligência se aprende “o professor faz a diferença” em agosto desse ano, o professor e escritor Rubem Alves inicia a palestra falando que não gostava de Literatura, e que o primeiro livro a ser lido para ele foi o Jéca Tatuzinho, pois não sabia ler, assim que aprendeu, leu muito até chegar ao ginásio. Lembra que no científico havia um professor de literatura que se chamava Leonidas Sobrinho Porto, que burlava a burocracia administrativa da escola. Leonidas acreditava que os 75% de presença dos alunos em sala não justificariam o desejo para aprender a disciplina ministrada por ele. Sua vontade era que todos estivessem ali pelo prazer em aprender literatura. Chama a atenção para uma curiosidade, o professor não solicitava compras de livros, pois tinha consciência que a turma não sabia ler e sim juntar as letras.
O educador que Rubem Alves faz referência amava sua profissão e sabia da importância da literatura para a vida de seus alunos, trabalhava os sentimentos através dos contos e poesias. Para a criança em processo de desenvolvimento é importante ser assistida por um adulto que compreenda seus anseios e identifique suas fragilidades. Como dizia Paulo Freire ”Educar é um ato de amor, e para educar crianças é necessário, sobretudo, amá-las profundamente”, reconhecer as suas necessidades e dizer não quando se é preciso.
Planejar uma aula que possa contemplar todos os alunos, pensar no espaço como seu aliado, centrar a atenção da criança em atividades que lhe de prazer, preocupar-se com seus cuidados básicos como fome, frio, dor, sede é um ato de amor. Proporcionar lugares alegres onde as crianças possam ser amadas e cuidadas como ser único pertencente a uma cultura.
Educar não é um trabalho de repetição e sim um método ativo, o professor Leonidas conhecia essa práxis e encantava a turma, segundo Rubem Alves ninguém mais faltava aula. No próximo ano o professor não voltou para a escola, porque tinha sido desonesto com a burocracia, mas honestíssimo com seus alunos, ou seja, não há como servir a dois senhores.
Veronice Fernandes de Souza
sábado, fevereiro 18, 2012
domingo, novembro 06, 2011
Geração Ritalina.
Em maio do ano corrente, o jornal Zero-Hora traz uma reportagem com o seguinte título, A geração movida a Ritalina, pílula da sala de aula. De acordo com a reportagem, estudantes recém formados no ensino médio estão fazendo uso do medicamento sem receita e acompanhamento de um profissional, para superar a alta concorrência no vestibular. O principio ativo é metilfenidato, substância que estimula o córtex pré-frontal, área responsável por vários neurotransmissores, um deles chamado dopamina, aumentando o poder de concentração em até 10% ou 20%.
Sabe-se que muitas vezes estudantes são colocados em situações de confronto e concorrência permanente. Devido a isso, eles são influenciados a buscar meios que os ajude a vencer essas barreiras impostas pela própria sociedade, e dispostos a tudo para a realização de um sonho, com atitudes inconseqüentes, fazem o uso deliberado dessa droga, sem medir suas conseqüências que são: surtos psicóticos, mudanças bruscas de comportamento e humor e ataque cardíaco.
Se um ou outro vestibulando faz o uso dessa medicação é porque tem acesso a comprimidos, seja com amigos ou até mesmo obtendo em farmácias com receitas concedidas por “médicos”. O ideal seria um controle rigoroso dessa medicação, fato este que não ocorre. O ser humano, de um modo geral, tem recorrido a uso de muitas drogas, seja por depressão, ansiedade, ou até mesmo para alcançar certos objetivos com a ajuda “milagrosa” de medicamentos, os quais, na bula, garantem o efeito de tranqüilidade, concentração, alívio do estresse, entre outros benefícios. Entretanto, não refletem que o uso contínuo e sem acompanhamento médico pode causar efeitos contrários ao que se espera. Obviamente, acredita-se que ninguém tome uma medicação para ficar pior do que está, mas sim para melhorar. Mas só isso não é suficiente para conscientizar as pessoas que adotam esse meio como forma de ajuda “rápida” para obter um bom resultado, por exemplo, em uma prova de vestibular ou em um concurso público.
A melhor forma de se viver em um mundo globalizado e com tantas desigualdades, estas de diferentes gêneros, é fazer exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada e saudável, ter horários de lazer, manter uma rotina de estudos prazerosa, conviver com amigos e familiares. Pergunte aos seus avôs se eles conhecem a Ritalina. Como a reportagem sugere, “a geração movida a Ritalina”, ou seja, a nossa geração.
Autora: Veronice Fernandes
sexta-feira, setembro 16, 2011
Tião 12 anos, menino rápido e esperto morador do cortiço da luz nascente. Vive com a mãe Dona Maria e duas irmãs. Não conheceu o pai, seu João abandonou a família, foi viver pelo mundo.
A mãe sai cedo de casa, faz faxina no centro da cidade, retornando à noite. Não sobra tempo para brincar na rua com as outras crianças, há tarefas a serem cumprida por Tião e suas irmãs. Pela manhã Tião vai a pé para a escola, volta ao meio dia serve o almoço para as irmãs, à tarde faz os temas e organizar a casa.
Dona Maria chega exausta e reúne forças para fazer o jantar e alimentar a família, sobrando pouco tempo para conversar com os filhos.
Tião quer ajudar de alguma forma, mas Dona Maria insiste em fazer com que ele entenda que somente através dos estudos poderá almejar uma vida digna.
Tião 12 anos, sente o peso do mundo em suas costas, sem ao menos ter maturidade emocional.
Amanhece e Dona. Maria sai novamente para trabalhar, nesse dia Tião não vai à escola, deixa as irmãs dormindo e vai arrumar emprego em um depósito de alumínio. Ficou o dia todo na rua catando matéria-prima para vender a preço de banana. No depósito além de Tião há outras crianças que vivem na mesma condição social, muitas morando na rua, fora da escola tendo esse trabalho como único sustento.
Tião não consegue manter-se na escola, seu maior desejo é ser jogador de futebol, pois não precisará estudar.
terça-feira, setembro 13, 2011
Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito
interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade,
mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas
conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram
divididas em dois grupos.O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é
inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver
o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada
criança.O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o
quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu
esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até
conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho
realizado e não à criança em si.Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à
primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram
obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem
qualquer tipo de consequência.As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças
do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não
queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B
aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos
filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam
ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento
de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode
modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir,
eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não
ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que
será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados
inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens
“médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua
capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam
que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e,
justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram
e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos
filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam
respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos
saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por
meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que
sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com
elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou,
você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade
apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de
você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído
como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho,
deixar seu primo brincar com seu video game foi muito legal, você é um
bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e
reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não
é “tática” paterna, é incentivo real.Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que
linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é
charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios
como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em
atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em
breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais,
birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido
resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos
que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois
cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de
suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura
firme e carinhosa. * Marcos Meier é psicólogo, professor de Matemática e mestre em
Educação. Especialista na teoria da Modificabilidade Estrutural
Cognitiva de Reuven Feuerstein, em Israel. Também conhecida como
teoria da Mediação da Aprendizagem.

